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Nossa História

Em 8 de fevereiro de 1952, iniciaram-se as atividades da primeira Escola de Educação Física do Estado de Minas Gerais, de caráter público, no governo Juscelino Kubitschek. A Escola era vinculada à Diretoria de Esportes de Minas Gerais e mantida com verba mensal vinda da Loteria de Minas, garantida pelo Decreto Federal 31.761, de 12 de novembro de 1952. No mesmo ano foi criada, também em Belo Horizonte, a Escola de Educação Física das Faculdades Católicas, mantida pela Sociedade Mineira de Cultura. Nessas Escolas funcionavam cinco cursos: Superior de Educação Física, Educação Física Infantil, Técnica Esportiva, Medicina Especializada e Massagem Especializada.

Os currículos das duas escolas eram similares. Tal organização era baseada na Escola Nacional de Educação Física e Desportos (ENEFD), sediada no Rio de Janeiro, de acordo com o Decreto-lei 1.212, de 17 de abril de 1939. Nas escolas mineiras, a única diferença estava na inclusão da disciplina Cultura Religiosa, no curso das Faculdades Católicas.

Um ano depois houve a fusão das Escolas, em acordo firmado por Juscelino Kubitschek e Dom Cabral, em 30 de setembro de 1953, sendo denominada, a partir daí, Escola de Educação Física de Minas Gerais. Possivelmente, problemas financeiros, a pequena demanda de alunos nos vestibulares e os conflitos internos, inviabilizavam a existência de ambas, isoladamente. A nova Escola passou então a ter uma organização mista, sendo mantida com recursos da Diretoria de Esportes do Estado e tendo orientação pedagógica vinculada ao Conselho Diretor da Sociedade Mineira de Cultura. A oficialização da fusão, com o reconhecimento federal da instituição, foi homologada em 13 de abril de 1955. O currículo da Escola de Educação Física de Minas Gerais manteve estrutura similar àquele que vigorava na Escola do Estado, com a inclusão da disciplina Cultura Religiosa. Os cursos oferecidos também foram os mesmos previstos pelo Decreto-Lei 1.212. No que diz respeito à coordenação das atividades da Escola, os assuntos administrativos e educacionais eram decididos diretamente pelo Diretor, nas reuniões do Conselho Técnico Administrativo (CTA), ou ainda nas da Congregação.

Indícios apontam que, nessas condições de funcionamento, a Escola procurou ter certa visibilidade no cenário da Educação Física nacional, como, por exemplo, na realização de atividades de formação extracurriculares, com o apoio financeiro do Governo de Bias Fortes, como as “Jornadas Internacionais de Estudos de Educação Física”. A Escola de Educação Física de Minas Gerais também publicou por algum tempo o seu jornal, denominado “Educação Física”.

A Escola experimentou a partir de 1961 sérios problemas políticos e financeiros que quase a levaram ao desaparecimento. O financiamento do Estado foi reduzido sob o governo de Magalhães Pinto. Ela deixou de publicar o seu jornal “Educação Física” e, nos anos seguintes, não promoveu outras edições das Jornadas. Cerca de 50 bolsas de estudo ofertadas a alunos do interior do Estado foram cortadas. Aos professores, funcionários e alunos faltaram recursos para continuar as atividades normais.

Em 1964 a crise chegou ao limite. Uma comissão de alunos da Escola foi ao governador Magalhães Pinto, em busca de soluções para o problema. A Escola chegou a encerrar suas atividades temporariamente na expectativa de uma reação do governo. O seu diretor, Herbert de Almeida Dutra, recorreu a diferentes instâncias governamentais dos Estados Unidos solicitando que a Escola fosse incluída entre as beneficiadas pelo Plano Educacional de auxílio à América do Sul. Além disso, escreveu também ao presidente do Brasil, General Humberto de Alencar Castelo Branco, mas seus apelos não tiveram resultado. Em 1965, a Escola passou pelo momento mais difícil e os funcionários decidiram paralisar suas atividades. Os alunos, de pronto, aderiram ao movimento.

Mesmo enfrentando percalços em seu processo de institucionalização, essa Escola parece ter se firmado como lugar de referência da Educação Física em Minas Gerais. Alguns documentos no acervo do CEMEF/UFMG apontam que ela também exerceu atividades para além de seus próprios cursos: foi espaço de implantação de uma política de formação de professores do governo militar, o denominado PREMEM (Programa de Expansão e Melhoria do Ensino), e foi também instituição oficialmente designada pelo governo estadual para atividades de “provimento de cadeiras” e “exames de suficiência” relativos à contratação de professores para a disciplina Educação Física das escolas estaduais.

 A situação precária de funcionamento da Escola perdurou nos anos seguintes e foi naquela conjuntura que uma alternativa foi ganhando força: os seus membros entenderam que a situação pela qual a instituição passava somente seria resolvida em definitivo com a sua federalização, ou seja, passar a pertencer à Universidade Federal de Minas Gerais, alternativa que vinha sendo cogitada desde 1963.

A partir de 1966, estudos foram realizados com o intuito de implementar uma ampla reforma universitária no Brasil, que se efetivou com a Lei 5.540 de 1968. Nessa nova circunstância, em 21 de novembro de 1969 a Escola de Educação Física de Minas Gerais foi agregada à Universidade Federal de Minas Gerais, por meio do Decreto-Lei 997. A inserção definitiva deu-se com a instalação da Congregação da Escola de Educação Física, no ano de 1973.  

A integração à UFMG trouxe mudanças significativas para a instituição, que se configuraram num momento de inflexão na sua estrutura, coordenação e funcionamento. A Escola teve que se adaptar às especificidades da Universidade, com impactos sobre sua organização de ensino e administrativa, seu corpo docente, seu corpo discente e seus funcionários. Houve necessidade de reestruturar os cursos então oferecidos, conforme regimento específico da UFMG. Permaneceu a oferta do curso Superior em Educação Física, enquanto que o relativo à Educação Física Infantil, por exemplo, foi paulatinamente desativado. Em 1974 uma nova proposta curricular para a Licenciatura em Educação Física foi elaborada e enviada ao Conselho de Graduação e à Coordenação de Ensino e Pesquisa da UFMG. Tal proposta foi aprovada, sem restrições, apenas em 1977.

Uma vez inserida na Universidade, houve também a construção de sua sede no campus da Pampulha, inaugurada em 12 de dezembro de 1977, depois de cinco anos de obras, com uma área de 12 mil metros quadrados. Nessa mesma década de 1970 também foi construído o Centro Esportivo Universitário, espaço anexo à Escola, onde aconteciam as aulas de Educação Física, sob responsabilidade da Escola, para os outros cursos superiores da Universidade. 

A década seguinte, no que diz respeito aos modelos que orientavam o curso, foi marcada por iniciativas que contribuíram para consolidar a Escola de Educação Física da UFMG como lugar de formação profissional e também de produção de conhecimento na área. Destaque-se, por exemplo, a parceria com a UFRJ em 1974, para a realização em Minas Gerais do “Projeto Brasil” de detecção de talentos esportivos e a criação do LAFISE (Laboratório de Fisiologia do Esforço), em 1976, o primeiro núcleo de pesquisas científicas da Escola. Nessa mesma época aconteceram também cursos de pós-graduação (especialização) em Biomecânica, com a participação de professores estrangeiros. Muitos professores da Escola fizeram pós-graduação no exterior (EUA e Alemanha), com impactos diretos na abertura de novas frentes de estudos e pesquisas científicas na instituição. Essas parcerias – e outras iniciativas de intercâmbio internacional, ocorridas na Escola de Educação Física desde a década de 1950 – colocaram em circulação uma grande variedade de pressupostos pedagógicos, políticos e científicos, provenientes de países considerados referência na formação profissional da área, com consequências duradouras para o campo da Educação Física.

No ano de 1979 os cursos de graduação em Fisioterapia e Terapia Ocupacional iniciaram suas atividades na Escola de Educação Física. A criação desses dois novos cursos levou à ampliação no número de professores e alunos, bem como dos campos de atuação da Escola, sendo, portanto, importante marco de sua trajetória.

 

Fonte: NASCIMENTO et al. Investigando contextos: organizando os arquivos do CEMEF/UFMG. In: LINHALES e NASCIMENTO (orgs.). Organizando arquivos, produzindo nexos: a experiência de um Centro de Memória. Belo Horizonte: Fino Traço, 2013.